O projeto musical Cordas e Barros, idealizado pela artista Ceiça Farias em 2006, tem um tom apaixonado, conceitual e totalmente inspirado nas palavras e paisagens das poesias manoelísticas, traz um experimento musical pautado na pesquisa sonora em utensílios, objetos e instrumentos construído do “barro” resultando em sonoridades e timbres diferenciados, , ora usado musicalmente como acompanhamento musical, ora como efeitos sonoros, tudo isso aliado a instrumentos de cordas como os violões, baixolão, violino e rabeca assim, formando elementos fundamentais para o projeto em uma sonoridade natural, sensível, diferenciada e harmônica, além disso, a cantora buscou composições e compositores que dialogam e pautam a construção poética na natureza, nos afetos, no cotidiano e nas pautas sociais da contemporaneidade coerente com a construção de sua identidade musical desenvolvida ao longo de suas vivências.
O álbum CORDAS, BARROS renasce agora, em 2025, em formato digital e já está disponível em todas as plataformas de música desde o dia 01 de outubro. Vale a pena conferir.
Em 2007, a cantora recebeu o patrocínio do banco da Amazônia (BASA) para a gravação do primeiro Cd o qual ela não teve medo de tematizar o intitulando de “Cordas e Barros, onde suas vivências no Norte e Nordeste, neste trabalho se evidenciaram dando voz as músicas de compositores como Nilson Chaves e Vital Lima (PA), Vital Farias (PB), Vera Lima (PB), Bado (RO), Augusto Silveira (RO), Vavá Ribeiro (PI) entre outros, contando com a direção e arranjos de Chico Chagas.
Com personalidade e estilo próprio, voz grave e marcante, Ceiça Farias participou de diversos eventos sociais, projetos e festivais, dialogando com a música e artistas da região Norte e outros Estados entre eles podemos citar o 5ª Cultural do Banco da Amazônia/AM, intercâmbio cultural Acre/RO, Projeto Cinco e Meia/RO, Projeto Porto do Som/RO, FAM Sesc/RO, FEMUCIC/PR (que recebe artistas de todo o país), Projeto Acorde brasileiro/RS (que leva ao público o que há de mais conceitual e sonoro de todo Brasil), Projeto Canta Mulher RO, Projeto Glória Vasconcelos/ PB, Festival de Música da Paraíba entre outros.
A poesia é uma “voz de fazer nascimentos”. É assim que o poeta pantaneiro Manoel de Barros definia a escrita literária poética. Para ele, a cada vez que uma poesia é criada, é como se fosse criado junto com ela um novo jeito de enxergar o mundo. A importância de ressignificar aquilo que nos rodeia e explorar o mundo com a curiosidade de quem as vê pela primeira vez é característico da infância, e da poesia do autor. Manoel de Barros dizia, que somente as crianças e a poesia conseguem fazer um verbo “delirar”, por sua habilidade inata de transformar o sentido das coisas. Para isso, ele criou até mesmo um verbo próprio: “transver”.
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