Cinco curtas-metragens compõem a Mostra Panorama que celebra 15 anos de carreira do cineasta paraibano Diego Lima. A mostra acontece nesta quinta-feira, dia 09, às 19h30 no Cineclube Curta Aqui no Embarque 083 em Mangabeira (R. Rodopiano Ferreira da Nóbrega, 384 - Mangabeira, João Pessoa). A entrada é de graça!
Como diretor, Diego Lima roteirizou e dirigiu cinco curtas-metragens: Atrito (2017), Crua (2019), Ígnea (2021), Caslito (filmado em 2021) e A Escrita de Deus, co-dirigido com Carlos Dowling. Esses dois últimos, em processo de finalização, serão exibidos um corte bruto para uma discussão com o público, o que o diretor chama de design de audiência, o que vai orientar o rumo da narrativa dessas obras.
Seu primeiro filme (Atrito), protagonizado por Suzy Lopes (Agente Secreto, Bacurau) e Felipe Espíndola, retrata o cotidiano de uma mãe evangélica e seu filho dentro de casa abordando temas como maternidade, sexualidade. O filme circulou em 26 estados da federação de 05 continentes. Destaque para o prêmio de melhor filme na mostra Petrobrás novos rumos de 2017 no Festival do Rio.
O segundo curta-metragem lançado por Diego Lima foi Crua (2019) cuja estreia internacional se deu no 48 International Film Festival of Rotterdam, uma das maiores vitrines de mercado do mundo do cinema, onde concorreu na mostra Voices Shorts. Crua foi um filme inteiramente rodado no centro de João Pessoa e faz uma radiografia da população que ocupa o pavilhão do chá, em especial, as prostitutas. O filme circulou também no Los Angeles Film Festival, em Hollywood nos Estados Unidos. O tema é sobre violência simbólica e sexualidade.
Seu terceiro curta, Ígnea (2021), é um filme voltado para as galerias e experimentações, trata-se dos restos do filme Crua que foi revisitado e utilizado para tratar de uma narrativa em que os corpos femininos são vistos com outros olhares. O filme foi lançado no ano de 2021 e se destacou no circuito de galerias e artes visuais, pois trata-se de um filme de experimentação.
A exibição demo do filme em realidade virtual intitulado A Escrita de Deus, co-dirigido com Carlos Dowling, é uma das promessas da noite. O filme foi concebido através da narrativa da colonização da América Central e Latina através do conto de J Borges em que Tzinacan, sacerdote asteca, e pertencente a etnia Kwiche, foi encarcerado em uma caverna pelo colonizador do México Felipe de Alvorado e busca a sagrada escrita de Deus nas manchas de um jaguar.
Diego Lima atua nas áreas de direção, roteiro e produção. É formado em Comunicação Social, habilitação em relações públicas pela UFPB, porém, de forma prática, iniciou sua carreira no audiovisual como monitor do projeto Viação Paraíba, através do qual percorreu o interior da Paraíba através de oficinas realizadas em comunidades rurais e em escolas onde facilitava o acesso de jovens ao audiovisual auxiliando os alunos a aprender a ler imagens em movimento. O projeto contava com o apoio da Prac/Coex – Coordenadoria de extensão cultural da UFPB.
Diego Lima roteirizou cerca de 15 roteiros em audiovisual, destaque para seu roteiro de longa-metragem que ganhou o prêmio BRLAB no ano de 2022, que consiste na história de ficção de Norma, uma senhora de 73 anos, aposentada, diabética, que após a morte do marido tem que repensar a sua vida. Seu desejo é desbravar o que abdicou nesses anos todos em função das convenções sociais. Vivendo situações inusitadas entre o mundo real e o mundo da internet, a sua curiosidade a move a experiencias e novas sensações ao ponto de conseguir um orgasmo e se descobrir, enfim, uma nova mulher.
Nas áreas de assistência de direção e continuidade, Lima já trabalhou em séries nacionais e longas-metragens, destaque para a série encomendada pelo Canal Brasil, Notícias Populares, do diretor Marcelo Caetano, criada por André Barcinski sobre a Folha de São Paulo e o núcleo Notícias populares nos anos 70, com destaque por manchetes inesquecíveis e folclóricas. Lima atuou na assistência de direção, e já tem um currículo de assistente de direção em mais de 35 peças audiovisuais incluindo curtas-metragens, médias, longas e séries. Ao final da noite, Diego Lima e Carlos Dowling estarão trocando ideias e ouvindo o público presente para entender como os filmes estão sendo recebidos. A noite promete uma troca criativa.
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