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Sexta-feira, 30 de Outubro 2026
LIVRO 'O HOMEM-RÃ' TEM LANÇAMENTO NACIONAL NESTA SEXTA-FEIRA NA PROGRAMAÇÃO DO PROJETO 'VIVA USINA', EM JOÃO PESSOA
Cultura

LIVRO 'O HOMEM-RÃ' TEM LANÇAMENTO NACIONAL NESTA SEXTA-FEIRA NA PROGRAMAÇÃO DO PROJETO 'VIVA USINA', EM JOÃO PESSOA

Publicado pela Editora Patuá, coletânea com prefácio de Esmejoano Lincol investiga os conflitos entre inocência, crueldade e os limites da experiência humana.

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Como conservar a pureza de coração com os olhos voltados ao mundo? A pergunta atravessa O Homem-Rã (Editora Patuá, 2026), livro em que Pedro Pereira de Sousa Neto explora as contradições humanas por meio de cinco narrativas que transitam entre o cotidiano, o onírico e o insólito. O lançamento nacional acontece nesta sexta-feira,30 de outubro, às 20h, no Palco Bonde da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, como parte da programação do projeto Viva Usina.

A Usina Cultural Energisa fica na Rua João Bernardo de Albuquerque, 243 - Tambiá - João Pessoa. A entrada no evento é de graça e os exemplares do livro estarão à venda no local. Além do lançamento, haverá performances e encenações de partes dos contos que compõem o livro e outras atrações culturais, já que o lançamento do livro "O Homem-Rã" faz parte de uma grande programação cultural que acontece nesta sexta-feira no Projeto Viva Usina.

Em universos distópicos, sonhos que interrogam a própria realidade e paisagens marcadas pela memória, os personagens se veem diante de escolhas, conflitos e forças que desafiam suas certezas. A coletânea marca a estreia de Pedro no conto e apresenta uma literatura interessada nas zonas de atrito entre o que o homem deseja ser e aquilo que é capaz de fazer.

O leitor diante do espelho

A leitura de O Homem-Rã implica um movimento de reconstrução: o universo ficcional encontra a subjetividade de quem lê e adquire novos contornos nesse encontro. "Pela arte, eu evoco sentimentos, análises e pulsões, por vezes codificados, por vezes bastante literais. Não me interessam os bons sentimentos, mas o atrito, a palavra ferida: na arte e na vida, identifico- os, decanto-os, disseco-os, camada por camada, para reconstruí-los em minha literatura. Eu construo mundos, meu leitor os refaz a sua imagem e
semelhança — seu próprio salão espelhado".

É nesse encontro entre o mundo ficcional e a experiência individual que se abrem as cinco narrativas do livro. Em Homo divisus, um sonho consciente de si mesmo conduz o protagonista à pergunta “Quem sou eu?”, enquanto as fronteiras entre identidade, realidade e criação se tornam instáveis.

Em E eu teria alguma razão para desejar minha desgraça?, uma senhora tenta dissuadir seu sobrinho de uma decisão extrema, numa trama de pistas e falsos caminhos que conduz a um desfecho devastador.

Em O Fim de Tudo, o contexto distópico é pano de fundo para a delicada autodescoberta do protagonista, um rapaz retraído que se depara com a pessoa mais expressiva que já conheceu. Já em Professor Edgard, ambientado na Parnamirim dos anos 1960, um professor metódico vê sua rotina alterada pela chegada de um garoto enigmático e por forças que operam à sombra. O conto também dialoga com a
geopolítica de Dois Sonhos: Primeiro Sonho (Viseu, 2024), romance de estreia do autor.

A coletânea se encerra com Milhões de noites, em que um adolescente desperta sem memória numa cabana úmida e escura, diante de um acerto de contas com fantasmas do passado.

A linhagem dos Malditos

“Eu não venho para trazer finais felizes. Trago por vezes, mas essa não é a minha intenção. Eu venho para questionar, para tensionar, para incomodar”, afirma Pedro ao definir sua relação com a literatura.

A coletânea dialoga com escritores que investigaram, sob perspectivas distintas, as contradições humanas e a experiência trágica, como Dostoiévski, Machado de Assis, Augusto dos Anjos e Kafka. Essas afinidades, que já atravessam seu Dois Sonhos: Primeiro Sonho, agora encontram novos caminhos em O Homem-Rã.

“Não há meio-termo no que escrevo. Escrevo o homem, vulnerável, desnudo, em seus próprios abismos existenciais. A meta é ser um Maldito!”, afirma Pedro.

A declaração expressa uma ambição que orienta sua escrita: encarar o homem sem idealizações, explorar suas contradições e recusar o apaziguamento como finalidade da literatura. A crueldade, a inocência, o desejo e a vulnerabilidade integram uma investigação que não pretende poupar o leitor de perguntas difíceis.

O jornalista cultural Esmejoano Lincol, mestre em Comunicação e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e autor do prefácio, identifica na obra esse convite à exploração da subjetividade:

“Se a Esfinge de Tebas dá como alternativas decifrar seu enigma ou ser devorado por ela, Pedro oferta, com O Homem-Rã, um caminho
diferente: abraçar o mistério da subjetividade e ao mesmo tempo por ele ser consumido.”

Uma trajetória entre linguagens

Sócio honorário correspondente da Academia Solanense de Letras e membro da Associação Portuguesa de Poetas, Pedro Pereira de Sousa Neto (João Pessoa, 1988) é escritor, advogado e produtor cultural. Bacharel em Direito pela UFPB, constrói uma trajetória em que diferentes linguagens artísticas se conectam.

Na estreia de seu Dois Sonhos: Primeiro Sonho (2024), encadeou o lançamento com performances cênicas e musicais e a exposição de ilustrações exclusivas de sua obra. Em Entre Sonhos e Realidade (2025), palestra-performance contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), literatura, teatro e reflexão se encontram para explorar os caminhos da escrita criativa.

Em Pulsa: Um Experimento Sensorial (2026), música, dança, teatro, poesia e artes visuais se entrelaçam em uma experiência que convida o público a explorar as relações entre corpo, percepção e desejo. Já This Is Our House (2026) reúne música, dança, pesquisa histórica e recursos audiovisuais para ampliar o conhecimento sobre a Cultura House, suas origens e seus desdobramentos nas culturas urbanas. Essa interlocução entre som e palavra assume um caráter formativo em Escutar para Escrever (2026), oficina que transforma paisagens sonoras em estímulos para a criação literária. Contemplado pelo edital Agosto das Letras 2026, o projeto também
integrou a programação da V Festa Literária de Solânea (FLISOL).

Questionado sobre o futuro de sua nova obra, Pedro responde de forma enigmática: “Eu tenho pensado muito em como a literatura pode se relacionar com outras linguagens e chegar às pessoas de diferentes formas. Isso já acontece nos outros meus projetos e quero continuar explorando essas possibilidades. Tem coisa nova vindo por aí, e em breve vou poder compartilhar com o público.”.

Para acompanhar sua trajetória artística, Pedro está no Instagram, em https://www.instagram.com/euteconhecopedro/

SERVIÇO
Lançamento nacional do livro O Homem-Rã (Patuá, 2026)
Data: 30 de outubro de 2026 (sexta-feira)
Horário: 20h
Local: Palco Bonde, Viva Usina — Usina Cultural Energisa, João Pessoa-PB
Entrada: Gratuita; exemplares à venda no local

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FONTE/CRÉDITOS: Assessoria de lançamento do livro
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Divulgação/Assessoria

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