Assistimos nas últimas semanas, como a mídia induz as pessoas a cometerem erros financeiros e pior ainda, a ser posicionarem em determinadas situações - simplesmente por que as pessoas que fazem parte do seu grupo social, seja ele familiar ou (pior) de grupos de redes socias compostos por pessoas que sequer conhecem a realidade um do outro - decidindo por você.
Primeiro tivemos o caso do Banco Master que oferecia retorno em investimentos bem acima dos praticados no mercado. Quem é da área sabe que mais cedo ou mais tarde a casa cairia. Por isso me espantei e até comentei anteriormente como investidores qualificados caíram nessa cilada. Alguns – graças ao FGC-Fundo Garantidor de Crédito do Banco Centra - ainda irão receber se tiver aplicado até 250 mil, mas, os grandes investidores perderam tudo. Aqui serve a máxima: Não se deve ir com muita sede ao pote.
Depois tivemos o caso de um político da extrema-direita que posa de paladino da moralidade e do bom costume pego com 430 mil (qual seria o valor original?) “esquecido” nas palavras do próprio dentro de um saco de lixo no seu armário! As desculpas? As mais esfarrapadas possíveis, venda de um imóvel em MG, em um estado que possui 853 municípios, talvez por isso não soube explicar em qual deles vendeu um imóvel por esse valor. A data? Em 2022. Ao ser questionado que na declaração de bens de sua candidatura em 2022 informou que todo seu patrimônio se reduzia a 4,9 mil reais em duas contas-correntes. Corrigiu e disse que foi após a eleição. E durante todos esses anos por um lapso de tempo não pode ir ao banco fazer o depósito dessa mixaria. Aqui serve a outra máxima: Foi pego com a marca do batom na cueca.
Por último, não menos pior - só seguindo a cronologia dos fatos – tivemos a propaganda das sandálias havaianas de propriedade da Alparcatas, tendo à frente a premiadíssima Fernanda Torres. O mote da campanha? “Não comece o ano com o pé direito. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés: os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo, de corpo e alma, da cabeça aos pés.” Pronto! Os extremistas da direita começaram logo o que se chama hoje de cancelamento. E assim, o assunto tomou conta das redes sociais. Será que esse povo não tem mesmo o que fazer? Tira a frase inicial totalmente fora do contexto e começa a lacração nas redes. Chegamos a essa situação, uma parte disse que não usaria mais e outra disse, agora que vou comprar mesmo! Mas, afinal, as havaianas são boas mesmos? Quem nunca usou ou ainda usa uma sandália havaiana? E vão agora, simplesmente mudar de produto porque uns malucos acham que é uma campanha da esquerda feito por uma atriz (ganhadora de diversos prêmios cinematográficos) que também é simpatizante da pauta da esquerda. Por fim, outra máxima: Muita calma nessa hora.
O que isso tem haver com a educação financeira? Bom, quando você passa a conhecer os fundamentos da educação financeira, você fica livre de cair nas três armadilhas acima.
No primeiro caso, aprendemos que a riqueza vem com o tempo, no longo prazo, portanto não somos seduzidos pelo sonho dos ganhos fáceis e rápidos.
No segundo caso, dinheiro licito em grande quantidade, guarda-se em bancos, ainda mais com a Selic batendo na casa dos 15%. Inimaginável, ainda mais vindo de um pastor que adora dinheiro fácil e recusar tais rendimentos que somados os três anos desde a “venda da propriedade” poderia ter rendido a ele 1/3 desse valor “esquecido” no armário.
No último caso, chega a ser hilário que pessoas deixem de comprar uma determinada marca por que uma pessoa que não gosta ser sua garota propaganda. Se houvesse um ataque direto a um determinado grupo, seria, digamos até aceitável o cancelamento. Até um ex-deputado cassado que mora nos EUA sugeriu jogar as sandálias foras. É mesmo? Como nunca iremos acompanhar seu dia-a-dia em outro país, jamais saberemos se o fez de verdade.
Finalizando, vamos combinar que antes de qualquer decisão irracional, tipo, maria-vai-com-as-outras, tome uma decisão racional.
Difícil dizer qual seria a reação se a peça publicitária começasse por: Não comece o ano com o pé esquerdo... Espero que eu esteja errado.
Um último conselho – se é possível – na ceia de Natal esqueça um pouco a política pois, irá fazer mal a você e a sua família.
Ademais, aproveite esses últimos dias de 2025, planejando um 2026 financeiramente saudável para você. Menos lacração, menos cancelamento. Sua saúde, seu bolso, sua mente, seu dinheiro, agradece de coração.
FELIZ NATAL!
Comentários: